BERTA CABRAL DEFENDE VALORIZAÇÃO DO ESTATUTO DOS TÉCNICOS DAS IPSS
A Presidente da Câmara de Ponta Delgada voltou hoje a realçar o papel preponderante desempenhado pelas IPSS e, em particular, dos técnicos destas instituições, que “não têm visto o seu estatuto reconhecido e valorizado em função do relevante trabalho que prestam”.
Intervindo na sessão de abertura das II Jornadas da APAV Açores contra a Violência, Berta Cabral reforçou a ideia de que é necessário adotar “um modelo em rede, devidamente coeso e articulado, motivador por excelência e eficaz na sua essência”.
Na sua opinião, esta “é a forma de intervenção social que urge defender junto das instituições e por em prática no tecido social”.
Sobre a luta contra a violência, disse que todos os cidadãos, sobretudo aqueles com “a responsabilidade que a cidadania nos confere”, têm “um papel primordial no desafio da luta contra a violência”.
“Desvalorizámos por muito tempo esse papel, mas, nos dias de hoje, não podemos deixá-lo em mãos alheias” - salientou.
Defendeu a necessidade de que “todas as vítimas, sejam mulheres ou homens, crianças, adolescentes ou idosos, tenham a força e o alento para iniciar um processo de mudança da sua situação e possam aceder à informação acerca dos seus direitos e, com isso, denunciar. Esta é a luta pela dignidade que não poderemos perder”.
“Só assim conferimos uma dimensão mais humana à solidariedade social e ao acompanhamento entre quem orienta e quem é orientado e, por sua vez, obter maior eficácia na resposta às situações denunciadas” - acentuou Berta Cabral, destacando o papel do Município nesta área.
Referiu-se, em particular, à ação do Gabinete Saudável de Apoio ao Jovem e à criação do Projeto Conforto (apoio aos idosos) que a Câmara criou e que têm vindo a trabalhar no sentido de recensear boas práticas e, ao mesmo tempo, a identificar os alguns problemas de grupos sociais mais vulneráveis.
Para Berta Cabral, “criar oportunidades e combater a resignação é um dos lemas que nos move. Um lema que apela à participação e, aqui, não posso deixar de referir o contributo dos voluntários. Do médico especialista ao professor, do cidadão comum aos profissionais liberais, todos contribuem para a defesa dos direitos, dos deveres e da qualidade de vida dos cidadãos”.
Sublinhou, no entanto, que o mais importante, nesta tarefa “é que o façamos no respeito pela dignidade de cada pessoa, de cada família, de cada caso a que pretendemos acudir”.
“Se trabalharmos todos de forma organizada, reunindo e diversificando contributos, atuando em rede e aprofundando a cooperação entre instituições, estaremos a trilhar um caminho de esperança” - reforçou.
Berta Cabral aproveitou para valorizar todos os que concretizam essa esperança, pelo trabalho e pela dedicação, manifestando uma “confiança inabalável de que, com o exemplo do vosso empenhamento cívico, vamos construir uma sociedade mais justa e uns Açores melhores”.
A Presidente reconheceu, ainda, o contributo dos técnicos “em torno da causa contra a violência”, referindo que deposita em todos eles uma “grande confiança” . Confiança que estendeu ao “envolvimento dos cidadãos em torno de uma realidade que se impõe combater e modificar” e ao “papel determinante das instituições que lutam, sistematicamente, por uma cultura cívica que se impõe afirmar e valorizar”.
Deixou, também, uma palavra de apreço à APAV Açores “pela atitude como desafia a sociedade civil para que não se limite a deixar somente aos poderes públicos a missão de enfrentar um problema que, através do nosso conhecimento, alcança, nos nossos dias, uma dimensão nacional”.
Berta Cabral recordou que, há oito anos, a Câmara de Ponta Delgada estabeleceu o primeiro protocolo insular com a APAV, através do qual foi disponibilizado um espaço para a associação, realçando “os resultados muito positivos que esta semente já produziu, modificando para melhor a vida de muitas crianças, jovens, mulheres e idosos. Mostrámos que é possível vencer obstáculos e superar dificuldades”.
Apesar de ainda ser longo o caminho a percorrer, Berta Cabral manifestou esperança de que existem condições para promover uma sociedade mais justa e solidária”.
Para Berta Cabral, estamos perante “dramas que as estatísticas nem sempre revelam, mas que nos vão alertando para a dimensão social que o fenómeno da violência, nas suas mais variadas tipificações, tem vindo a assumir. Perante estes cenários, restam-nos duas atitudes: ou nos resignamos, ou nos mobilizamos para, com os recursos que temos ao nosso alcance, anteciparmos um combate que a todos diz respeito. As organizações cívicas e as instituições sociais são fortes catalisadores dessa vontade”.

