Governo Regional “incapaz perante dívida da Saúde que é um quarto da riqueza açoriana”

Governo Regional “incapaz perante dívida da Saúde que é um quarto da riqueza açoriana”
2012-07-03
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O PSD/Açores considerou hoje o governo regional e o seu secretário da saúde “incapazes de resolver, ou mesmo de atenuar, o crónico problema do subfinanciamento do Serviço Regional de Saúde, que só este ano atingirá 60 milhões de euros”, numa situação “de agravamento indisfarçável, com prejuízo para os cuidados prestados aos doentes, enquanto o secretário do setor persiste em não assumir as suas responsabilidades políticas, preferindo acusar os conselhos de administração dos hospitais pelos crescentes problemas financeiros”, disse o deputado Pedro Gomes.
 

Numa declaração política feita esta manhã em plenário, o social-democrata afirmou que a realidade se encarregou “de desmentir, uma vez mais, aquele incauto governante, como o PSD já afirmara que iria suceder. As dívidas e as responsabilidades financeiras futuras do serviço regional de saúde ultrapassam já os 1000 milhões de euros, representando mais de 25% do PIB regional, ou seja mais de um quarto de toda a riqueza gerada nos Açores”, avançou.
 

O social-democrata questionou o plenário sobre “como foi possível chegarmos aqui. Como é possível que a dívida do serviço regional de saúde tenha crescido trinta vezes, desde 1996, que a Região deva tanto a tanta gente, sem que os responsáveis políticos falem a verdade aos açorianos”, indagou Pedro Gomes, para quem “só há uma resposta, o PS já não é capaz de resolver os problemas da saúde nos Açores e o secretário regional da saúde é um erro de casting, acossado pelos credores e envolto em decisões controversas”, afirmou.
 

Pedro Gomes salientou que, “perante o avolumar da crise na saúde, o secretário regional desculpa-se sempre, com os outros – os fornecedores, os armazenistas, os gestores hospitalares, o governo da República e, até mesmo, os vinte anos de governação do PSD”, além de que, “confrontado com a sua notória incapacidade política, só reage fazendo oposição à oposição, e dizendo que as críticas à saúde são movidas pela ganância eleitoralista, como afirmou, num assomo político de quem ficará na história dos Açores como o pior secretário regional da saúde de sempre”, disse.
 

O parlamentar não esqueceu que, ainda recentemente, “no discurso de um congresso a fingir, Vasco Cordeiro, o candidato socialista a presidente do governo, apenas dedicou um breve parágrafo ao problema da saúde. E para dizer o óbvio, que as decisões nesta área devem ser tomadas nos Açores, já depois do presidente do governo ter reconhecido publicamente que a saúde é o calcanhar de Aquiles da despesa pública. Mas o candidato socialista, num silêncio de herdeiro cúmplice, preferiu nada dizer sobre a dívida da saúde”, recordou.
 

“Com esta declaração política, o PSD oferece a oportunidade para responder a estas questões, já que no domingo, no encerramento da convenção do PS, parece ter-lhe faltado a coragem para o fazer. O PSD desafia-o a explicar aos açorianos porque é que a situação financeira da saúde é pior do que a da Madeira, para utilizar uma comparação que os dirigentes socialistas gostam de invocar, afinal Vasco Cordeiro não disse como se propõe resolver este grave problema, tal como não disse se assume ou não a herança da governação socialista na área da saúde”.
 

Segundo Pedro Gomes, “acresce dizer que o secretário regional da saúde falta à verdade aos açorianos, quando afirma que não há falta de medicamentos nos hospitais”. Igualmente, “não diz a verdade aos açorianos ao afirmar que não são adiados tratamentos ou cirurgias por falta de medicamentos”, e falta à verdade aos açorianos “quando transfere para os órgãos de gestão dos hospitais a responsabilidade pela crise financeira da saúde”, frisou
 

O deputado do PSD lembrou que, “ainda ontem, o conselho de administração do Hospital do Divino Espírito Santo, o maior hospital da região, numa inédita posição, desmentiu publicamente o secretário regional da saúde, afirmando que as dificuldades financeiras sentidas se centram exclusivamente no subfinanciamento do hospital”, ou seja “depois dos açorianos terem deixado de acreditar na política de saúde do governo regional, agora são os gestores hospitalares que já não confiam no secretário regional da saúde”, acentuou.
 

“A gravidade do comportamento do secretário regional da saúde exigiria o seu afastamento de funções governativas. Porém, a três meses de eleições, acreditamos que este governo e o secretário regional da saúde serão demitidos, nas urnas, pelos açorianos, em outubro próximo”, concluiu Pedro Gomes.