Artur Lima acusa Governo de atentar contra saúde dos Açorianos
2012-07-19
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O Presidente do CDS-PP Açores Artur Lima divulgou, esta quinta-feira, documentos a que teve acesso que provam que o processo relativo à radioterapia nos Açores, da forma como está a ser conduzido pelo Governo Regional, “é um atentado aos doentes”, “ao investimento público” e “às finanças regionais”, acusando o Secretário Regional da Saúde e o Presidente da APIA (Agência para a Promoção do Investimento para os Açores) de “terem mentido” em sede de comissão parlamentar de inquérito.
Em conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo, Artur Lima assumiu claramente que a opção do CDS-PP é outra: “é a de, o mais rapidamente possível, disponibilizar o tratamento de radioterapia aos Açorianos. Somos diametralmente opostos ao Governo. Temos garantias da ISOPOR de que, dentro de quatro a seis meses, põe em funcionamento o serviço de radioterapia e medicina nuclear no Hospital da Terceira”.
Isto leva a que, frisou o líder popular, “no final deste ano possamos ter radioterapia nos Açores (única região do País sem este serviço), ao contrário da opção do Governo que é a de desprezar dois milhões de euros, fazer obras em Ponta Delgada e só ter o serviço a funcionar em 2014”. Para o CDS-PP a radioterapia deve avançar já no novo Hospital terceirense avançando-se, “numa segunda fase, caso se justifique, com o centro de radioterapia em Ponta Delgada. Isto é que é respeito pelos doentes e boa gestão dos dinheiros públicos”.
Neste sentido, Artur Lima desafiou Berta Cabral e Vasco Cordeiro a pronunciarem-se sobre este assunto, até porque, “o que está em causa é a saúde dos Açorianos e a gestão de dinheiros públicos”.
Mentiras em comissão de inquérito
Artur Lima acusou, entretanto, Miguel Correia e Gualter Couto de “terem omitido documentos da comissão parlamentar de inquérito” à gestão da saúde na Região, onde um dos concorrentes à instalação da radioterapia nos Açores manifesta “disponibilidade” para iniciar os serviços na ilha Terceira, dentro de quatro a seis meses.
“Quero formalmente contrariar e desmentir as afirmações do Secretário Regional da Saúde e do Presidente da APIA. O Secretário Regional da Saúde diz que os privados não têm interesse em investir numa unidade de radioterapia na ilha Terceira. Isto é falso e é-me provado por um dos promotores do investimento”, disse.
Artur Lima, divulgou documentos que lhe foram facultados por Luís Metello, Presidente da ISOPOR, onde se confirma que, a 13 de Março, foram entregues à APIA dois projectos para a instalação da radioterapia apenas em Ponta Delgada. Porém, acrescentou, “após as denuncias que o CDS-PP Açores fez sobre este processo, a 20 de Março, através de uma declaração formal de intenções, manifestou interesse e disponibilidade em investir na ilha Terceira”, onde se predispunha a ter serviços de radioterapia e medicina nuclear a funcionar “dentro de quatro a seis meses”.
Assim, o Líder dos populares açorianos conclui que o titular da pasta da saúde, ao omitir aquela declaração formal de intenção, “mentiu à comissão de inquérito” o que faz com que os populares desconfiem que o executivo regional “está a defender outros interesses”.
Quanto ao Presidente da APIA, Artur Lima atribui acusação semelhante, pois, realçou, “na comissão de inquérito disse que ainda não tinha sido tomada qualquer decisão sobre que concorrente recomendaria ao Governo”, mas o facto é que a ISOPOR já havia sido informada que não tinha sido a escolhida.
Artur Lima põe o dedo na ferida e denuncia: “o Hospital de Ponta Delgada tem uma dívida de milhões de euros à empresa Quadrantes e então passou uma carta de conforto ao consórcio Quadrantes Açores que foi valorizado para efeitos de selecção”.
“Tenho os documentos onde se vê porque é que a APIA recomenda a empresa Quadrantes: valorizam como critérios o prazo mais curto, o preço médio por sessão de radioterapia e uma carta de conforto do hospital de Ponta Delgada. São critérios absurdos utilizados para excluir a ISOPOR e indicar a Quadrantes”, considerou.
Para o Presidente do CDS-PP Açores é preciso que o Governo Regional e a Administração do Hospital de Ponta Delgada “esclareçam qual a dívida e há quanto tempo deve à Quadrantes”.
Hospital de Angra só coloca entraves
Artur Lima denunciou, por outro lado, que o Conselho de Administração do Hospital da Ilha Terceira, onde já foi feito um investimento de cerca de dois milhões de euros na construção de um bunker, só tem colocado “dificuldades” à instalação dos serviços de radioterapia e medicina nuclear: “A ISOPOR manifestou a intenção de implementar, de imediato, serviços de radioterapia e medicina nuclear no Hospital da Terceira. O Conselho de Administração do Hospital só colocou dificuldades, nomeadamente pedindo a exorbitante quantia de 3.500 euros de renda pelo espaço”, algo que, salientou, “em Ponta Delgada não acontece”.
Para além desta dificuldade, o Presidente dos democratas-cristãos denunciou que, na ilha Terceira, “a ISOPOR tem que pagar 75 mil euros por um terreno no parque tecnológico, que é propriedade do Governo Regional, e em Ponta Delgada o terreno é cedido gratuitamente”. Por isso, constata, “há aqui uma conjugação de esforços e interesses prejudicando a ilha Terceira, os Açores, o investimento público, as finanças regionais e, acima de tudo, os doentes”.
“Não me preocupa o dinheiro. O que me preocupa é o tratamento rápido dos doentes. Quantos mais doentes vão sofrer até 2014? Neste ano e meio, até estar em funcionamento em Ponta Delgada, basta fazer contas: O que se poupa no investimento que é preciso fazer dá para pagar as deslocações dos doentes para a Terceira. O que estão a fazer é um atentado aos doentes nos Açores, é humilhar os que sofrem e desprezar quem está doente”.
“É sobretudo isto que os Açorianos têm que ter em conta. O Governo Regional está a pôr acima do bem estar dos doentes interesses económicos e financeiros que não conseguimos descortinar”, finalizou.

