Berta Cabral garante “aposta clara” em rede de cuidados continuados
2012-08-09
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A candidata do PSD/Açores a presidente do governo comprometeu-se hoje a
fazer uma “aposta clara” numa rede de cuidados continuados, alegando que cada
vez mais idosos necessitam de “assistência especial” e que essa opção permite
também descongestionar os hospitais.
“É uma necessidade absoluta dar resposta às pessoas que, por uma razão ou
outra, precisam deste tipo de cuidados, pois têm que estar internadas e ter uma
assistência especial que não tem nada a ver com os doentes agudos que estão nos
hospitais”, afirmou Berta Cabral, em declarações aos jornalistas, no final de
uma visita à unidade de cuidados continuados da Santa Casa da Misericórdia da
Ponta Delgada.
A líder social-democrata salientou que existe uma “falta de resposta” ao
nível dos cuidados continuados nos Açores, o que obriga a que os doentes tenham
que continuar internados nos hospitais, “com custos acrescidos” para a
Região.
“Uma cama de hospital, que se destina em princípio a doentes agudos, é
muito mais dispendiosa do que uma cama numa instituição de solidariedade social
que se dedique aos cuidados continuados”, referiu.
Berta Cabral defendeu, por isso, que a Região faça uma “aposta clara” numa
rede de cuidados continuados, dado que tal vai permitir “reduzir custos na
Saúde, algo que é absolutamente necessário nos dias que correm”.
A candidata do PSD/Açores a presidente do governo regional aproveitou
também a ocasião para denunciar a “campanha de contra-informação” a propósito
dos apoios sociais após as eleições, assegurando que estes vão ser
aumentados.
“Há, por parte dos nossos adversários, uma campanha de contra-informação a
dizer que o PSD corta apoios sociais se for para o governo. O meu compromisso
pessoal é de aumentar os apoios sociais. Não admito que se faça campanhas de
contra-informação. Os meus princípios são de apoio aos que mais precisam”,
garantiu.
A líder social-democrata assegurou que um governo por si presidido vai
proceder ao aumento do complemento regional de pensão – o chamado “cheque
pequenino” –, do apoio à compra de medicamentos por idosos e do complemento
regional ao abono de família.
Questionada pelos jornalistas a propósito da difícil situação financeira do
setor da saúde nos Açores, Berta Cabral reconheceu esta será uma das suas
“maiores dores de cabeça” no próximo governo, mas comprometeu-se a defender os
interesses regionais “até às últimas consequências”.
“O próprio presidente do governo já disse que a saúde era o calcanhar de
Aquiles. Se é para quem está [agora no poder], imagine-se a dor de cabeça que
não vai ser para quem vai chegar. Mas estamos cá para isso, para defender os
Açores. Podem contar comigo para o que for preciso”, afirmou.
Em relação à dívida do setor, a candidata do PSD/Açores a presidente do
governo considerou que o atual executivo regional “sabe bem que precisa do
governo da República em termos financeiros”, destacando que, por esse motivo, o
atual presidente do governo tem tido “um discurso mais consensualizador do que
outros membros do executivo”.
“Na minha opinião, só se resolve esta situação sentando à mesa e falando
claramente, negociando o que um e outro têm a pagar e a receber”, disse.
A líder social-democrata lembrou que as questões relativas à dívida de
diversos subsistemas nacionais ao Serviço Regional de Saúde “vêm desde o tempo
do primeiro-ministro José Sócrates e nunca ouvi ninguém falar disso na
altura”.
“Eu defendo os Açores em qualquer circunstância e qualquer que seja o
governo da República. Ninguém me vai ver calada quando o governo é da mesma cor
política do meu ou a falar quando não é da mesma cor política. Quando tiver
razão para falar mal, falo mal e quando tiver razão para falar bem, falo bem.
Calada é que não vou ficar”, afirmou Berta Cabral.

