PoliticaEconomiaCulturaDesportoQuotidianoTecnologiaSociedade

Opinião

oxalá a utopia socialista não perca o “pio”…

  

Memorandum
João-Luís de Medeiros

 CONVERSA ANTES DA “ORDEM DO DIA”

Nunca me dei à tarefa de auscultar os analistas do óbvio, porque reconheço que nem sempre é fácil contornar em silêncio as curvas aliciantes do protagonismo do momento que passa. O quotidiano apresenta-se repleto de notícias gulosas, coalhado do epistolário da apologia ou da razia do "bota-abaixo". Mesmo à distância, o balho foliado dos opinantes de serviço reflecte a comicidade copista do pensamento alheio...
Vamos hoje resistir à tentação de juntar a nossa voz ao coro dos patuscos gritadores de penalty cometido pela simpática ditadura da maioria (consentida) que governa Portugal e as regiões autónomas. Em Fevereiro de 2005, nesta coluna e neste jornal, deixei arquivado alguns telegramas alusivos às eleições da época, um dos quais me aventuro a transcrever na sua versão original:
"... estamos a fazer um novo remendo em pano antigo: oxalá a (minha) utopia socialista não perca o pio... Se houvesse alguém curioso do que penso do resultado eleitoral, responderia com uma simples pergunta: numa maioria absoluta, será que os vencedores estão absolutamente convencidos do relativismo político do tempo que passa?"
Até fins de 1980, Portugal pareceu-me um país meigo, a balbuciar a utopia de um dia se libertar do seu padecimento ancestral: crise crónica de crescimento sócio-cultural. Entretanto aconteceu o fenómeno A.D. (alternância democrática) - o primeiro "cartão amarelo" apresentado ao anarquismo romântico da revolução dos cravos. Foi nessa altura que comecei a perceber que o "soarismo" fora "promovido" à posição de alcaide-mór da Ibéria ocidental para conter o ímpeto da unicidade revolucionária praticada pelo Partido Comunista Português. &nbs p;
Uma vez ultrapassado o período translúcido da "legalidade" revolucionária (com os múltiplos atropelos da época, uns mais românticos do que outros), a maioria da classe política portuguesa ficou endeusada pela proximidade institucional com a comunidade europeia; logo a seguir, o país entrou na fase "veneradora e obrigada" da magnanimidade financeira com sotaque franco-alemão. Em plena aurora da década iniciada em 1990, começámos a observar a charanga dos "fiéis-do-cofre-europeu" - gestores da ilusão do sucesso e manipuladores do maná financeiro estranho à produtividade real da cidadania democrática. Esqueceram que é preciso estimular nos mais jovens o dom de imaginar e o prazer de aprender.
&nbs p; Podemos imaginar a Autonomia não como "cinto de castidade" ideológica, mas uma "ponte" para circular ideias, sem todavia importar vícios... Não acredito em ilusões anti-democráticas: nos Açores, de certa vez, a ilusão do "sucesso" exalou um tal perfume mitónimo que até mereceu o milagre da visita papal...

2 - menos romarias e mais trabalho...

Em Portugal (e nas Regiões Autónomas) a competição politica não quebra osso ideológico. As maiorias absolutas já começaram a descer "a passo e passo a escada estreita". No entanto, é nosso dever admitir que a história recente da autonomia açoriana tem sido contemplada com o concurso de gente de raro gabarite político. Claro que não seria realista esperar que muitos dos recém-chegados à política tenham "ego"resistente ao ritual adulador das massas educadas no aplauso emocional ao rematador de serviço... No fundo, as classes dirigentes são tão semelhantes nas respectivas opções partidárias, que se torna imperativo recorrer aos especialistas de marketing para "reinventar" nuances partidárias capazes de disfarçar o "pronto-a-vestir" da uniformidade ideológica...
Nos Açores, há clientelas interessadas em provocar uma espécie de 0duelo" institucional entre o presidente do Executivo açoriano e a "mayor" da municipalidade de Ponta Delgada. Os estrategas do arruído parecem distraídos da hipótese que seria desastroso para as ambições politicas da actual presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada uma eventual derrota nas próximas eleições autárquicas. Isto para concluir que a legitimidade democrática das funções do actual Chefe do Executivo Açoriano só estará em disputa dentro de três anos. Não haja pressa em empurrar o presidente do Executivo para a selecção europeia. Nesta fase do "campeonato" da Autonomia, a sua ausência faria muita falta ao projecto do triângulo lusitano do Estado português (Açores, Continente, Madeira)...
Também considero que "o mundo é uma pança enorme". Não há triunfo do direito sobre a força da injustiça que não tenha sido considerado utopia. A antiga governadora do Texas, Ann Richards, de saudosa memória, disse uma frase que fixei: "... I have always said that in politics, your enemies can9t hurt you, but your friends will kill you. Nesta ordem de considerações, alinhavadas com sinceridade mas em passo de corrida, penso que o desafio do futuro da autonomia dos Açores precisa (exige) mais inteligência cooperativa do que "chamarritas" ensopadas em alcatras partidárias.
Considero urgente congregar o PS/A e o PPD/PSD na formação duma União Açoriana para o Desenvolvimento (UAD). Nesta emergência, não seria racional menosprezar aqueles que, no passado e no presente, continuam credores da confiança colectiva, embora arbitrariamente marginalizados ou "dispensados" de funções, segundo critérios ditados pelo ritual da "solidariedade na incompetência"...
Entrementes, a opinião independente anda ao corrente do autismo crónico dos governantes insulares. Curiosamente, há indícios que apontam o facto de que a juventude açoriana foi convidada a pensar que o natal da Autonomia Democrática aconteceu na segunda metada da década de 90 do século passado. Haja paciência...
Nesta breve conversa antes da "ordem do dia", diria que de facto conquistámos a Autonomia Democrática. Aleluia! Mas é preciso acreditar nela e servi-la... com menos romarias e mais trabalho!


--------

Rancho Mirage, California
Junho, 2009

 

PSD/Faial com núcleo em Castelo Branco

O PSD do Faial oficializou esta semana, com a presença da líder regional do partido, Berta Cabral, a criação do seu primeiro núcleo de freguesia na ilha, formando em Castelo Branco uma estrutura que terá Cândido Capaz como secretário, numa acção que resulta "das diversas reuniões efectuadas com militantes, numa ida do partido às suas bases", referiu o presidente da comissão política de ilha.

 

"Tem sido objectivo da comissão política do Faial a organização de núcleos de freguesia, pois entendemos que essa é a forma mais adequada de aumentar a implantação local do PSD e de divulgar a nossa mensagem", disse Luís Garcia.

 

"Queremos que, cada vez mais, o PSD seja um partido de militantes activos e participativos, e isso pode acontecer naturalmente através dos núcleos", explicou o dirigente laranja, durante a sessão de apresentação da estrutura de Castelo Branco.

 

Governo apresenta sistemas de incentivos aos oficiais de contas e empresários na Terceira

Os apoios do Governo dos Açores para o sector empresarial foram hoje apresentados numa sessão de esclarecimento, realizada em Angra do Heroísmo, aos técnicos oficiais de contas e empresários da ilha Terceira.

 

Na sessão, organizada pela Secretaria Regional da Economia, Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas e Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (IAPMEI), foram divulgados em pormenor os instrumentos criados no âmbito dos sistemas de incentivos ao investimento, das medidas para o emprego e qualificação de recursos humanos e das estratégias financeiras e de dinamização empresarial.

Continuar...

 

Afinal, o oásis era uma miragem

Paulo Sousa Mendes
Ninguém duvidará que é bom ser-se açoriano, mas muitos se questionarão se será bom viver nos Açores. Numa região, que ao contrário do comummente apregoado, não é exactamente um oásis, num país fragilizado, onde é cada vez mais difícil, para as pessoas alcançarem os seus objectivos.
Recentemente, tivemos a confirmação do que há muito se suspeitava. O desemprego aumentou de forma drástica nos Açores, no período de um ano (52%). As ilhas do grupo central são as mais afectadas e em que a maior parte dos desempregados são jovens (54% dos inscritos nos Centros de emprego tinham menos de 34 anos de idade). Esta é uma realidade que não valerá a pena tentar mascarar, nem fazer "malabarismos" com os números. Ainda mais, quando todos nós já a sentíamos há demasiado tempo, apesar das manobras de propaganda habituais que já se tornavam ridículas de tão desajustadas que estavam desta realidade.
Não se trata de se ser catastrofista. Principalmente, quando sabemos que além do desemprego crescente, o emprego que temos é precário e «mal pago». Quando a oferta de emprego é, em muito, inferior à procura e quando temos um Código de Trabalho, promovido e aprovado pelos «mais ou menos» socialistas. Um Código de Trabalho que facilita a prática de "lay-off" e instaura bancos de horas, sem direito a qualquer compensação pecuniária, por parte dos trabalhadores pelo seu trabalho extraordinário. Estão, desta forma, criadas condições únicas para que se coloquem trabalhadores contra trabalhadores, num cenário, em que empregadores menos escrupulosos dividem para conquistar mão-de-obra barata.
Se até há relativamente pouco tempo, a qualificação académica e profissional garantia emprego estável e devidamente remunerado. Actualmente, parece não trazer qualquer mais-valia para os jovens que tentam a sua integração num mercado de trabalho, que tarda em valorizá-los.
A aposta na investigação científica parece ser uma aposta consistente quer do Governo «mais ou menos» socialista da República, quer do Governo «mais do menos» Regional. Contudo, subsistem imensos jovens bolseiros investigadores, que usufruem de um sistema de protecção social, ainda deficitário. Além, de não conhecerem qualquer estabilidade profissional ou qualquer perspectiva de uma carreira cientifica digna. Preocupante será, ainda, o futuro da investigação científica nacional que se encontra dependente de fundos europeus, os quais terminarão em 2013, sem que se assista a qualquer sinal de comprometimento político, por parte de quem nos governa.
Numa semana, em que tanto se falou da falta de participação política dos jovens, é mais do que evidente que não se poderá esperar que se sintam motivados e muito menos implicados, politicamente, quando não se encontram preenchidas as suas necessidades mais básicas, como a estabilidade laboral (perspectiva de carreira) e a dignificação do seu trabalho. Será somente possível incentivar o interesse pela participação politica, quando auferirem de uma remuneração compensatória do seu trabalho, que lhes permita ter uma vida digna, para que deixem de viver na incerteza, numa região, onde o tráfico de influências é comum, sem ser, contudo assumido como uma barreira ao nosso desenvolvimento. Aliás, à semelhança de outros problemas (toxicodependência, aborto, gravidez e maternidade na adolescência, violência doméstica, etc.), os quais só muito a custo e depois das evidências se terem acumulado é que foram, finalmente assumidos e, só há relativamente pouco tempo é que se iniciaram alguns esforços de intervenção com o intuito de os resolver ou minorar.
Ninguém é livre, produtivo, criativo e responsável sem que sinta segurança no seu trabalho. Actualmente, não estão reunidas as condições essenciais para que as pessoas e, especialmente, os jovens sintam necessidade de se expressarem e participarem politicamente. Ou vivem, ainda, dependentes dos pais, porque não têm condições financeiras para alugar ou comprar casa própria e/ou não têm uma ocupação profissional estável, o que os obriga a viver na "corda bamba". São, por isso, escravos do banco, do "junco verde" e do contrato de trabalho a termo.
Querem contar com a participação cívica e politica das pessoas? Então assegurem-lhes as condições mais básicas ou será que há alguém que ganha em ter as pessoas acorrentadas, desmotivadas e indisponíveis para a construção de uma sociedade para todos? Apelar à participação politica das pessoas poderá parecer hipócrita, se não forem atendidas as necessidades mais básicas, somente alteradas através das decisões e prioridades politicas.
PS: Por falar em prioridades políticas. Parece que para alguns, a prioridade politica é a legalização da "sorte de varas". De facto, esses "alguns" parecem mover montanhas para alcançarem um luxo que é, no mínimo, sórdido e que tem sido "vendido" como uma prioridade politica aos órgãos de comunicação social, num país e numa região em crise. Na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores têm sido discutidas matérias, incontestavelmente, muito mais prioritárias e que não têm merecido a mesma atenção. Mais uma vez, se está a tentar enganar o povo, como se o povo gostasse de «papas e bolos». Mas, convém não esquecer de quem gosta de «papas e bolos» são os... e o povo, de certeza, não o é.