O Subsecretário Regional dos Assuntos Europeus e Cooperação Externa afirmou ontem, em Cabo Verde, que os Açores e o seu Governo, conscientes da "importância e significado profundo" de um "encontro histórico", associam-se "com grande satisfação" à primeira Cimeira dos Arquipélagos da Macaronésia.
Rodrigo Oliveira falava, em representação do Presidente do Governo, Carlos César, na cidade de Mindelo, numa intervenção em que começou por recordar o "processo de aprofundamento das relações bilaterais de cooperação entre a Região Autónoma dos Açores e a República de Cabo Verde, no âmbito do qual, em 2008, "os dois Governos reafirmam solenemente "o interesse no estreitamento e aprofundamento das relações entre todos os arquipélagos da Macaronésia, bem como na criação de um mecanismo comum de acompanhamento da cooperação nessa área regional".
Relembrando que "foi um açoriano, o historiador e humanista Gaspar Frutuoso", que legou "um primeiro e importantíssimo repositório da História, dos usos e costumes, da fauna, flora e geografia dos quatro arquipélagos atlânticos" o subsecretário regional salientou "a inegável importância geoestratégica e económica que cedo revestiram no espaço atlântico europeu e que hoje ainda mantêm".
Além de terem constituído, efectivamente, "os pilares atlânticos da primeira globalização", o progresso das comunicações e das tecnologias "não retirou protagonismo, antes acentuou em diversas e novas dimensões, a importância deste corredor marítimo transatlântico" e, "agora como então, as ilhas procuram tirar partido das suas condições naturais, no desenvolvimento do sector do turismo, na promoção de uma agricultura e agro-pecuária de qualidade e especializada nas áreas em que têm maior vocação ou, ainda, na regulamentação cuidada de uma pesca tradicional e precaucionária".
Reafirmando, também, que as 28 ilhas da Macaronésia são "repositórios únicos de biodiversidade e espaços políticos autónomos, empenhados em políticas de preservação ambiental e de desenvolvimento sustentável", o governante açoriano defendeu que "a inserção e vocação atlântica dos arquipélagos lega-nos a relação fundamental e intrínseca com o Mar, no qual buscamos, hoje, novas ideias para a sua utilização adequada e concertada e em todas as vertentes".
Referindo-se à Cimeira, que reuniu os Governos de Cabo Verde, Açores, Madeira, Canárias, Portugal e Espanha, Rodrigo Oliveira realçou que a História e pertença a um mesmo espaço biogeográfico, consubstanciam-se, actualmente, na "afectividade entre os povos e num conjunto de interesses comuns", defendendo "a identificação de potencialidades e a partilha de conhecimento", como "alicerces de um futuro, não só de maior proximidade, mas acima de tudo de aproveitamento de sinergias para progresso e bem-estar dos arquipélagos da Macaronésia".