Construção de um novo porto de maior capacidade na ilha do Corvo
Desde a década de oitenta do século passado que a ilha do Corvo encetou uma recuperação demográfica notável. Em 1981, a população da ilha do Corvo atingiu o seu mínimo histórico: apenas 370 habitantes. Cerca de trinta anos depois, a ilha do Corvo somava já 494 habitantes (2009), de acordo com os últimos dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística. Ou seja, a população da ilha cresceu 34% em apenas três décadas.
Na década de oitenta, a ilha do Corvo parecia ter como horizonte a total desertificação humana. Um destino cruel para uma sociedade que tinha logrado sobreviver 500 anos, praticamente isolada junto da cordilheira atlântica.
Existem vários factores que explicam esta extraordinária recuperação. Entre eles estão o fim da emigração, a construção do aeródromo, o aumento da capacidade económica do município do Corvo e a correspondente expansão da sua capacidade empregadora, a construção da nova escola até ao 9.º ano, a localização de alguns serviços da administração regional, expansão da actividade pesqueira e a sustentação da actividade agrícola em torno da criação de gado bovino. Rua Marcelino Lima Telef: 922172989 9901 – 858 HORTA 2
O resultado desta evolução é a construção de um mercado interno que pode começar a obviar alguns condicionalismos de escala na ilha do Corvo. Estão a surgir novas oportunidades de negócio em resultado do acréscimo da população. Bastaria, então, que o Governo mantivesse alguma iniciativa em termos da construção de infra-estruturas essenciais – nomeadamente as relacionadas com as infra-estruturas portuárias e a reabilitação urbana – para que a ilha do Corvo continuasse a crescer de forma sustentada.
Ora, de forma cada vez mais acentuada, o que se assiste é ao abandono de políticas de investimento na ilha e à asfixia política da população. Os resultados desta estratégia de abandono e de arbitrariedade política estão a chegar de forma dramática. Desde o início deste ano, a ilha do Corvo perdeu 18 habitantes. Alguns – a maioria – procurou novas oportunidades de emprego fora da ilha, sendo certo que outros fugiram à ditadura do cartão rosa que impera nesta ilha em termos de emprego público.
Nestas circunstâncias, o PPM volta a reivindicar a realização de uma grande obra de expansão do Porto da Casa. Neste momento, a inexistência de um porto com capacidade para receber directamente o tráfego marítimo proveniente dos portos do território continental – é a única ilha em que isto sucede – constitui um óbice inultrapassável para a economia da ilha.
O transbordo de mercadorias a partir da ilha das Flores custa anualmente uma fortuna ao Governo Regional (cerca de um milhão euros anuais) e não resolve o problema. O prazo de entrega de mercadorias duplica Rua Marcelino Lima para a ilha do Corvo e as rupturas de géneros e de materiais são uma constante no Inverno. Por outro lado, a actividade pesqueira encontra-se fortemente condicionada pelas características actuais do Porto da Casa, que na prática inviabilizam a saída dos navios durante uma grande parte do ano. Isto para não falar da impossibilidade de desenvolver actividades náuticas de recreio que constituem uma prioridade para o desenvolvimento do potencial turístico da ilha.
Tendo em conta estas circunstâncias, o PPM informa que conta apresentar, ainda este mês, um Projecto de Resolução na Assembleia Legislativa, no sentido de assegurar a expansão da capacidade portuária do Porto da Casa e a sua consequente capacidade para receber os navios que escalam as outras ilhas provenientes dos portos do território continental, além de aumentarem a capacidade operativa da actividade pesqueira e lúdica.
| < Anterior | Seguinte > |
|---|
Actualizado em (Quinta, 09 Setembro 2010 13:58)
