Os planos para a entrada em bolsa da Stada foram cancelados. Os proprietários da farmacêutica alemã, Bain Capital e Cinven, anunciaram a venda de uma participação maioritária de 70% ao investidor financeiro britânico Capvest. Esta decisão representa um sinal negativo para o setor de private equity.
A Surpreendente Venda da Farmacêutica
O investidor financeiro britânico Capvest irá assumir o controlo da farmacêutica alemã Stada. A notícia foi confirmada esta segunda-feira pelos atuais proprietários, os fundos de investimento Bain Capital e Cinven, que, no entanto, não divulgaram os pormenores financeiros da operação. Fontes do setor financeiro indicam que a transação avalia a Stada em aproximadamente dez mil milhões de euros, incluindo a dívida assumida. Com este acordo, a Capvest passará a deter 70% do capital da empresa.
Detalhes do Acordo e a Nova Estrutura Acionista
Após a conclusão do negócio, a Bain Capital e a Cinven permanecerão como acionistas minoritários, mantendo cada uma delas uma participação de 15% na Stada. Esta decisão surge de forma inesperada, uma vez que, até ao fim de semana, a Stada continuava a preparar a sua Oferta Pública Inicial (IPO), com uma data de lançamento prevista para o início de outubro.
O Abandono dos Planos de Entrada em Bolsa
Inicialmente, a Stada tinha como objetivo realizar a sua entrada em bolsa em abril, mas os planos foram adiados devido à instabilidade nos mercados, provocada pelas ameaças de imposição de tarifas comerciais por parte dos EUA. Segundo fontes internas, a persistência de elevados riscos geopolíticos teria colocado em causa também a nova data de outono, o que terá levado os proprietários a optar pela venda direta. A decisão de cancelar o que poderia ter sido a maior entrada em bolsa do ano na Europa representa um novo revés para o mercado de IPOs.
Um Revés para o Mercado Financeiro
A notícia surge poucos dias após o CEO da Stada, Peter Goldschmidt, ter confirmado a intenção de avançar com o IPO no outono. Embora os mercados tenham registado uma evolução positiva este ano, a forte volatilidade, alimentada por um cenário geopolítico complexo, já tinha forçado várias empresas a cancelar os seus planos de dispersão de capital em bolsa. A Stada torna-se, assim, mais um exemplo desta tendência. Recorde-se que a Bain e a Cinven adquiriram a Stada em 2017, após uma prolongada batalha de aquisição, por 5,3 mil milhões de euros, retirando-a de bolsa para promover a sua expansão global.