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Tesla Model Y Premium Long Range: A escolha mais racional da gama em Portugal

ByAna Cristina Alves

Fev 4, 2026

A Tesla volta a agitar as águas do mercado automóvel em Portugal, reafirmando que não é apenas um fabricante de carros, mas sim uma empresa de tecnologia que, por acaso, constrói veículos. A chegada do Model Y Premium Long Range com tração traseira é a prova viva dessa estratégia agressiva. Posicionado taticamente entre a versão de entrada e o todo-poderoso Performance, este modelo, com um preço de 49 990 euros, apresenta-se muito provavelmente como a escolha mais racional da gama atual no nosso país.

O equilíbrio entre autonomia e eficiência

O que torna esta versão particularmente interessante é a combinação da bateria de longa duração, habitualmente reservada aos modelos de topo, com a eficiência de um motor único montado no eixo traseiro. O resultado é uma autonomia impressionante de até 622 km em ciclo WLTP. Para quem ainda sofre de ansiedade em relação à autonomia nas viagens longas, este SUV elétrico pretende eliminar de vez esses receios. Embora se perca a tração integral da versão Performance, ganha-se na eficiência energética — com consumos oficiais de 14,2 kWh/100 km — e, claro, na carteira. Ainda assim, o desempenho não desilude, mantendo o ADN da marca com uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em respeitáveis 5,6 segundos e uma velocidade máxima de 201 km/h.

Estratégia de nomenclatura e posicionamento de marca

Ao analisarmos a designação “Premium” estampada nesta versão, é impossível ignorar a recente reestruturação global da nomenclatura da marca. Recentemente, a Tesla optou por abandonar o termo “Standard” nas suas ofertas de entrada de gama, uma mudança subtil mas carregada de significado. O lançamento de novas variantes, como o Model Y All-Wheel-Drive a preços competitivos, veio consolidar esta nova hierarquia.

A decisão de deixar cair o “Standard” prende-se com a psicologia do consumidor. Palavras como esta podem, subconscientemente, sugerir algo “básico” ou “barato”, especialmente quando contrastadas diretamente com o termo “Premium” no configurador. Ao eliminar esta designação, a marca evita que o Model Y de entrada pareça um produto inferior, focando-se antes nas especificações técnicas, como “RWD” (tração traseira). Por outro lado, a manutenção da etiqueta “Premium” nas versões superiores, como a que agora testamos em Portugal, serve para sinalizar inequivocamente a presença de atualizações desejáveis, como o isolamento acústico superior, o sistema de som de alta fidelidade e o tejadilho panorâmico em vidro, incentivando os clientes a optar pelas variantes com margens de lucro mais elevadas.

Uma experiência dominada pelo software

Passar uma semana com o Model Y é entrar num ecossistema onde o hardware serve o software. O centro nevrálgico de toda a operação é o enorme ecrã tátil de 15,4 polegadas, impulsionado por um processador AMD Ryzen que garante uma fluidez de topo. A ausência de um painel de instrumentos atrás do volante e a inexistência de compatibilidade com Android Auto continuam a dividir opiniões. É uma decisão de design radical que obriga a um ligeiro desvio do olhar para o canto superior esquerdo do ecrã central para controlar a velocidade.

Esta filosofia estende-se à condução. As tradicionais hastes de piscas ou limpa-para-brisas desapareceram, e até a seleção de marcha (Drive, Rear, Park) é feita deslizando o dedo na lateral do ecrã. Existe uma curva de aprendizagem inegável, mas a experiência de utilização acaba por ser tão intuitiva que dificilmente se sente falta dos botões físicos tradicionais.

Conectividade e entretenimento a bordo

Onde a Tesla verdadeiramente se destaca da concorrência é na integração com o telemóvel. A aplicação da marca é, sem margem para dúvidas, a referência da indústria. O smartphone funciona como chave por aproximação e permite um controlo remoto total: desde abrir vidros e ativar a climatização antes de entrar no carro, até visualizar as câmaras em tempo real através do Modo Sentinela. Para os momentos mais descontraídos, é até possível fazer o carro emitir sons cómicos para surpreender quem passa na rua.

No interior, o entretenimento é rei, transformando o veículo numa sala de estar enquanto se aguarda num carregador. O sistema conta com Spotify nativo e uma navegação baseada no Google Maps exímia no cálculo de percursos e paragens para carga. Com o carro parado, o acesso à Netflix, YouTube e até Karaoke, suportado por um sistema de som imersivo de alta qualidade, torna as pausas agradáveis. Durante o nosso teste, foi possível assistir a um jogo de futebol através do browser com uma qualidade de imagem e som soberbas.

Pontos a rever e funcionalidade

Apesar da tecnologia de ponta, existem arestas por limar. A ausência de um limpa-para-brisas no vidro traseiro prejudica a visibilidade em dias de chuva, e o funcionamento automático dos limpa-para-brisas dianteiros nem sempre deteta a chuva com a precisão desejada. Além disso, a falta de um Head-Up Display obriga a uma habituação visual que nem todos os condutores apreciam.

Contudo, no cômputo geral, a proposta de valor é robusta. Com uma rede de Superchargers capaz de carregar até 250 kW e um espaço de carga generoso que totaliza 2138 litros, o Model Y Premium Long Range afirma-se como uma peça central na mobilidade elétrica em Portugal, combinando a lógica de um familiar competente com a irreverência tecnológica da Tesla.